segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

REBOSTEIO Nº 2! (e a Cara do Careta)

Já rebosteando neste nosso apático ventilador virtual, a edição de nº 2 da revista digital que mais mete o dedo na ferida e lança Conhecimento, Arte e Cultura pelos ares!

Esta edição não é temática, mas está envolvida até o osso com a emergência política (e tomada de posição) que vem rebosteando nossos dias. É um chamado à indignação, à revolta, e nela todos os gritos, todos os silêncios se encontram.

E como não poderia deixar de ser, meus poemas publicados na seção "Poesia", e a crônica postada abaixo, também fazem coro a este rebulíço político, existencial e ideológico.

A ilustração especial é, do sempre talentoso, Tiago Costa, e os pais da criança, editores e idealizadores, são os amigos Rubens. G. Pesenti e Mercedez Lorenzo.


Folheim aqui. Se puder, baixe em pdf e imprima para ler com calma e profundidade.





A CARA DO CARETA

“Vamos pedir piedade:
- Senhor, piedade
para essa gente careta e covarde!”
(Cazuza)

Ah, os Caretas...

Um bom Careta, um Careta nato, não só veste as mesmas roupas dos pais e repete as mesmas trezentas palavras dos avós, Caretice pura é um estado de alma... Ela torce o nariz e vira a cara a qualquer anseio de liberdade, ofende-se com a multiplicidade do sexo e tenta martelar na cabeça dos nossos jovens que as famílias são feitas de papais e mamães e que o papai e a mamãe só fazem papai-e-mamãe, quando muito, para procriar.

A Caretice acha um “baseado” na bolsa do filho e faz um “BICHO-DE-SETE-CABEÇAS”, pior, autoriza o Estado a meter-bronca, meter-pau, descer-a-lenha em quem puxar um, em quem se manifestar em prol de sua legalização ou discussão do tema; e não importa agora se é favelado, preto, branco, bandido ou estudante, ela está tatuada na face mais repressora do sentimento “Capitão Nascimento” que está por aí, pairando no ar.

Ah, a Caretice...

O Careta carrega não mais que cinco provérbios na cabeça, tem decorado três orações (para quando a coisa aperta) e defende com unhas e dentes duas ou três GRANDES VERDADES, e por elas há de morrer, fedendo.

Eu que não tenho talento para Chapeuzinho Vermelho, engracei-me desde cedo com o cabeludo Lobão. Acho que já nasci cansado desta mesma Babaquice ou dessa eterna falta do que falar... Chego até a pensar que o Rock and Roll me salvou da Caretice; mas o rock também errou: a Caretice desconhece limites, classes, tribos, e é em si o dogma do dogma.
           
            O Careta sabe o que quer (está lá nos manuais da vida e nos livros de auto-ajuda). Ele ama uma bula e sempre consegue o seu lugar de destaque. A política está cheia deles: adoram paisagismos e higienização, mas o ser-humano em sua integridade sócio-psico-cultural é a ele o mais estranho bicho novo zelandês, uma vigorosa hidra de quatrocentas mil cabeças.

A Caretice já crucificou gente, queimou gente, incinerou gente, e vem segregando mais e mais gente sob o rótulo da boa saúde, da raça, da condição social ou psíquica; ela é o eixo de de tudo - à sua volta tudo é marginal.

Ah, deusa de assombrosas tetas, o que vai na cara do Careta?

Vai nada!, o Careta não tem cara, é um projeto mal acabado de qualquer forma forjada pelo senso-comum aceitável; e é fato, mais que fato: o Careta não sabe dançar! Jamais vai dançar... Para começar, ele não gosta de música, é estranho à poesia e avesso a qualquer brisa que desoriente o seu único amor, a princesinha dos seus ovos-de-ouro podres - esse Deus Careta e maior que costuma se banhar pelo nome de STATUS QUO.





quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

CANÇÃO DO AUTO-EXÍLIO


acostumamo-nos a nos acostumar com a Miséria,
a aceitar que ela é mesmo um pressuposto da vida
- econômica e séria - de um país que acontece

                               e
                              g
______________r_______________       
                      e
              m
e

e não maquia as mazelas:

hasteia na epiderme da terra
o rosto exposto da fome
e seu nome
que toda a gente lê,

menos o luis.

há corruptos saltando pelas janelas,
saindo pelos bolsos, transbordando copos
e bueiros,
brotando nas cuecas;

queria mesmo um político amarrado no quintal
para espantar as moscas, quem sabe a chuva
cínica
que desbarranca o país e espanca na lama a Moral:

animal mais extinto desta selva
de palmeiras caquéticas e sabiás gagos,
mudos e enjaulados

como todo incivil que ostenta no peito as flechas

da justiça,
da fazenda,
do estado,
da empresa,
da polícia,

menos o luis

(que está na noruega)


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