quarta-feira, 16 de maio de 2012

UMA MÁCULA DE DELICADEZA



Para além do “certo” ou “errado” em intervir numa obra de outrem (por que isto foi uma intervenção, não um “vandalismo", como querem pregar), ficamos com a imagem emblemática deste bandeirante que, em si, retrata muito bem o nosso tempo, seja nas artes, seja na cultura, seja nas subjetividades.

Macular com delicadeza essa figura horrenda é, num primeiro instante, provocá-la, abalar seu status irretocável dos livros de História;

num segundo instante, é abalar o já instável “gênero masculino”, justamente neste Ser que representa um momento da história em que o “masculino” e o “feminino” estavam fortemente apregoados, sobretudo pela religião, que visceralmente avalizava a figura patriarcal e viril dos “homens”, facilmente reconhecido por qualquer homo sapiens do sexo masculino.

Com a dita revolução (em processo) sexual e feminista, os gêneros se aproximaram um do outro, outros vêm surgindo, e a “transgeneridade” é um fato social que, independentemente de querermos ou não a ela tapar o olhos, está por aí, pipocando no nosso caldeirão antropológico.

Denúncia, ressignificação antropológica, releitura e intervenção artística, tudo isso emoldura esta foto... Limparam a estátua, mas a imagem já é nossa, e faço questão de lançá-la ao ventilador digital da nossa era e às antenas atentas do (in)consciente coletivo!


("Monumento às Bandeiras" - Victor Brecheret)



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