segunda-feira, 14 de março de 2011

GRÃO MESTRE

                                       
                               (ao mestre e mano Edê)

Na sintética Semente que o protege e o carrega
o embrião contém nele toda e escatológica matéria
imerso no caldo primordial do finito infinito
vai explodir a casca ao acaso de um sopro
vai rebentar todos os lados do tecido sinuoso
do e     s       p          a                ç                          o
com a primeira e atávica raiz de Iroko

- Zaratempo!
(a bonança do ar


só Tempo dará)

Da pivorante parede do universo
Raízes tabulares vão surgir
em asteróides, grãos, planetas
meteoros, sóis, cometas
sugando no fungo do Cosmos
o que lapidam seiva bruta

- Zaratempo!
(a ampulheta da lua
sorve a Terra nua)

Medra medra primitivo Tronco
expande à velocidade da procura da luz
vai compor o eterno móvel da rocha
toda rede do poema lançada ao mar
páginas páginas páginas brancas
carbono, carboidrato, celulose
a vida

- Zaratempo!
(o que a morte corrói
só Tempo constrói)

Galhos Ramos Galhos
bactérias, protozoários
biojogo de elementos
bionaipes do baralho
de organismos e excrementos
na redoma véu-de-esfera
deusa louca Atmosfera

- Zaratempo!
(o Orfeu da memória

compõe a História)

Cem mil folhas no pé
e outras mil duzentas no chão
com a luz incolor da fé
regam o verde-esperança na mão
a névoa esconde onírica floresta:
homem-réptil, pássaro, peixe, avião
mimese, submarino, fotossíntese, evolução

- Zaratempo!
(o caule do mal
é retorno espiral)

Falo e vulva ornamentada
a Flor seduz o corpo do Nada
refecunda o caosmiséria
suicídio, a dor, a guerra
e tudo o que Homem reverte em tristeza
é sexo, fome, gula e prazer
deleite voyer de sua beleza

- Zaratempo!
(em riste o ponteiro
que parte-me inteiro)

O Fruto carrega consigo o sabor das estrelas
o útero se revigora com a vida que zela
Folhas, Tronco, Galhos se condensam
entrelaçadas Flores, Raízes se retraem
no embrião que morrera e nascera a pouco
como Árvore frondosa, Deus e Tempo -
semente explodida no sonho de Iroko

- Zaratempo!
(reprincípio do fim,
arquiteto de mim)


                                                         



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