terça-feira, 14 de dezembro de 2010

"Poema Entalado"

Não era nada,
só um poema entalado na garganta.

O Doutor mediu pressão,
examinou pés,
olhos,
anca,
e nem desconfiou do súbito mal
que dorme insondável
e, atroz, se levanta.

Enfim, o câncer
(coisa que diabo espanta!),

e, um ano depois,
enquanto toda a família
jogava terra em montinhos
por sobre a manta

de lágrimas e flores,
e as senhoras maldiziam,
fazendo o sinal da cruz,
credo-ave-maria,
santa-maria santa!,

para que nunca as acometesse
o maldito,
proscrito câncer de anta!,

avistando a tumba,
longe ao alto,
eu bem sabia:
rezar nem adianta...

- Que câncer, que nada!,
 era poema raro,









entalado na garganta.

5 comentários:

  1. Mis saludos desde Santiago de Chile, un agrado leer-mirar en su sitio, viva la poesía y el arte, un abrazo afectucoso y fraterno,

    Leo Lobs

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  2. Como é bom passar por aqui! Blog raro!

    Abraços,

    Vera

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  3. Bom é tê-la por aqui, Vera!


    Forte abraço


    Delarte

    ResponderExcluir
  4. Muitíssimo bom.

    - É mininu, cê num trabáia não?
    - Sou artista; um escritor, poeta.
    - Tá, quibão! Mas trabaiá mermo quiebão, cê num trabáia não?

    Ai! Dura vida a nossa.

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